Com o advento de novas tecnologias como a Inteligência Artificial, muitos profissionais da psicologia atualmente se perguntam como será a sua vida daqui a cinco ou dez anos. Será que as máquinas substituirão atividades humanas tão elaboradas, como a psicoterapia e os outros serviços psicológicos, em um futuro breve? O psicólogo clínico autônomo verá o seu valor diluído e terá de travar uma batalha contra o avanço de tais tecnologias em sua profissão?
Para responder a essa questão, precisamos começar por uma noção muito importante: quem participa dessa transformação.
Antes da consolidação da chamada quarta revolução industrial, as tendências tecnológicas eram criadas pelas grandes corporações, uma vez que eram elas que detinham a hegemonia da inovação; restava ao profissional, portanto, seguir tais tendências para se encaixar no mercado. Atualmente, com a democratização das tecnologias da informação, há uma nova perspectiva: as tendências tecnológicas ganham a possibilidade de serem construídas por profissionais conectados e não apenas por grandes empresas que dispõem de muito capital.
Assim como acontecia com o entretenimento audiovisual, ao qual tínhamos acesso apenas por meio de produções de grandes empresas da área, hoje vemos produções espalhadas por toda a internet, muitas vezes feitas por pessoas autônomas, mas que tiveram seu trabalho potencializado pelas novas tecnologias. A internet e as plataformas de vídeo não acabaram com o trabalho dos produtores de vídeo, mas democratizaram o poder de produzir.
Algo muito semelhante está acontecendo hoje com a Inteligência Artificial, que já vem sendo amplamente utilizada pelas grandes instituições de saúde, mas que será cada vez mais democratizada para profissionais autônomos e pequenas clínicas. Para que esse modelo se consolide, é preciso que exista demanda no mercado por ferramentas que ampliem o trabalho do psicólogo. E essa demanda é criada quando os próprios profissionais adotam essas ferramentas e constroem, na prática, a cultura de utilizá-las, mostrando ao mercado que o valor está na tecnologia aliada ao profissional, e não na tentativa de substituí-lo. É o profissional que gera valor ao potencializar o seu trabalho com a tecnologia. E o mercado direciona seus investimentos para os modelos que geram esse valor ao consumidor final, que é o paciente.
Portanto, o psicólogo que está atualizado e já domina essas ferramentas não precisa encarar o avanço da tecnologia como uma ameaça. Pelo contrário, o valor do seu trabalho é potencializado e não ameaçado. O consultório psicológico do futuro está sendo construído agora por todos que estão vivendo esse potencial na prática diária. A Inteligência Artificial já é uma realidade acessível e, para o profissional da psicologia, utilizá-la não é apenas ganhar produtividade, é participar da construção do futuro da profissão.